Cantares

Reúnem-se aqui gravações de cantos e músicas reunidas ao longo dos encontros do projeto “desbravar” . Estes registos não resultam de sessões formais de gravação, tendo surgido de forma espontânea no decurso de momentos de partilha, que foram parte integrante do processo de criação com os grupos das várias freguesias.

Algumas gravações incluem comentários que contextualizam a cantada, cantiga ou canção, por vezes evocando memórias associadas. Os títulos atribuídos não correspondem necessariamente às designações oficiais, seguindo antes indicações presentes na letra ou na forma como foram identificados durante os encontros.

Ontem à meia noite
Cidália Vieira, Codal

Ai ontem à meia-noite (2x)
Ai ouvi cantar e chorei (2x)
ai pela minha mocidade (2x)
Ai que tão novinha deixei (2x)

desbravar · Ontem à meia noite

Balão da minha alma
Flávia Duarte, Arões

E o balão da minha alma
E ó de ruz truz truz.
É como a roda de um carro
Da sala para a cozinha
E ó de ruz truz truz.
Faz abanar o sobrado.
Ai faz abanar o sobrado

Sou rendeira vendo rendas
Ó de ruz truz truz
Do mais fino algodão
Ai do mais fino algodão

Sete metros não me chegam
Ó de ruz truz truz.
P’ra roda do meu balão
Ai p'ra roda do meu balão

desbravar · Balão da minha alma

Eu cortei um ramalhete
Grupo “desbravar” de Arões

Eu cortei um ramalhete
Eu cortei-o, está cortado
Eu deixei o  meu amor
Eu deixei-o, está deixado
Trai olai olarailalai (2x)

Hei-de cantar, hei-de rir
Hei-de ser muito alegre
Hei-de mandar a tristeza
Pro diabo que a leve
Trai olai olarailalai (2x)

O meu amor é que vinha
Quando a lua viesse
A lua já por lá vem
Meu amor não aparece
Trai olai olarailalai (2x)

desbravar · Eu cortei um ramalhete

Fui falar à tecedeira
Grupo “desbravar” de Arões

Fui falar à tecedeira 
Pelo buraco da chave
E ela estava ruc tuc tuc
Minha porta não se abre

Minha porta não se abre 
Ela não se quer abrir
E ela estava ruc truc truc 
E a mãe na cama a dormir

Fui falar à tecedeira
Pelo buraco do cano 
E ela estava ruc truc truc 
Não me dava ao desengano

Não me dava ao desengano 
E não me queria dar
E ela estava ruc truc truc 
Agarradinha ao tear

Ó povo deste lugar
Trindade Tavares, Arões

Ó povo deste lugar
Alabantai-bos que é dia
Para fazer o café
Que a madrugada está fria
Ó ai ó larai ó lai
Ó larai ó lai
Ó larai ólarai ô
(...)

desbravar · Ó povo deste lugar

Pescador da barquinha
Raquel Bastos, Arões

Ó pescador da barquinha
Volta cá, que estás perdido
Essa mulher que aí levas
É casada, tem marido

Morena,  fugiste, deixaste-me só
No alto da serra sem pena nem dó
Morena,  fugiste, deixaste-me só
No alto da serra sem pena nem dó

desbravar · Pescador da barquinha

Esta compilação derivou do “desbravar”, um projeto de experimentação artística, desenhado a partir de processos de mapeamento, registo e reinterpretação do património imaterial resistente no concelho de Vale de Cambra. Iniciado pela PELE em 2024, o projeto esteve inserido nos “Caminhos para a Coesão”, promovido pela Câmara Municipal de Vale de Cambra e executado pela ADRIMAG, ao abrigo do Plano de Ação das Comunidades Desfavorecidas, financiado pelo PRR.

Todos os registos visuais são de autoria de João Versos Roldão, fotógrafo que integrou a equipa artística, e que registou os vários momentos que integraram o projeto “desbravar”.