Gabriela Barbosa
Gabriela Barbosa
17/06/1982
Brasil, São Paulo
Sou uma mulher que se apoderou da própria vida.
Sou a filha mais nova da família e escolhi o caminho de me respeitar e seguir as minhas vontades.
Estudei Biomedicina, trabalhei anos na indústria farmacêutica, estive noiva… Aos 30 anos percebi que aquilo não era o que eu queria… Hoje faço exatamente aquilo que quero. Valorizo muito a liberdade que tenho para decidir os meus movimentos e as escolhas que me fizeram chegar onde cheguei. Como mulheres, não somos ensinadas a escolhermo-nos a nós mesmas. Para além de praticar esta ideia na minha vida, incentivo outras mulheres a fazê-lo.
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Cheguei ao Porto com 300 euros no bolso, uma mala de 21 kg e confiança. Nunca tinha vivido sozinha, não conhecia ninguém, não tinha com quem contar. Saímos de um ambiente rodeado de pessoas que nos querem bem e de repente estamos num meio em que ninguém sabe quem somos. Fiquei durante 22 dias dentro de um T0 de 15m2, trancada dentro daquela casa, com medo de sair porque não conhecia ninguém e com falta de dinheiro, porque era mês de férias e não tinha um contrato. Aprendi muito com os meus próprios demónios, com os medos que nem sabia que tinha.
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As pessoas do Porto são muito orgulhosas a respeito da própria terra e isso foi uma das primeiras coisas que me chamou a atenção quando passei a viver cá. A história contada pelo monumento da rotunda da Boavista sempre me trouxe para um lugar paralelo da minha vida como imigrante: a resistência. Assim como o Leão resistiu à invasão da Águia, eu vejo-me também como resistente dentro do espaço no qual sou(somos) vista(s) como “invasora” …
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A Casa Odara é a representação de muitos grupos de pessoas que são consideradas marginalizadas dentro da sociedade. A Arte, quando é feita por esses grupos dissidentes, não é valorizada. Como associação podemos ser um veículo para ajudar quem quer desenvolver ideias e projetos. A Casa Odara impulsiona e vibra a energia para que estejamos todes juntes na luta diária de existência e resistência